O bicudo-do-algodoeiro foi um dos responsáveis pelo deslocamento das plantações de algodão do Paraná e de São Paulo para o Cerrado. Já nos Estados Unidos, tendo em vista a erradicação desse inseto, houve uma grande mobilização de produtores, associações e governo. Os agricultores norte-americanos, com a colaboração do período de nevasca, conseguiram se livrar de vez dessa que é a principal praga da cultura do algodão. No clima tropical do Brasil, o bicudo encontrou o cenário perfeito para se instalar e se desenvolver nas lavouras do Centro-Oeste. Como ataca os botões florais e as maçãs das plantas, ele tem potencial de gerar grandes prejuízos na lavoura.

“O inseto, embora tenha dificuldade de reprodução no período de estiagem, consegue sobreviver em restos culturais e na vegetação nativa. Por isso, práticas como a destruição de soqueiras, manejo de plantas voluntárias, implantação de armadilhas para captura de indivíduos adultos e aplicações de defensivos registrados são fundamentais”, afirma Márcio Trento, gerente da cultura do algodão da Syngenta. Essas medidas são eficazes, mas precisam ser complementadas com outro procedimento: a rotação de produtos com diferentes ingredientes ativos.

Rotação

A maioria das pulverizações na cultura de algodão para combater o bicudo utilizam o mesmo princípio ativo. Se a população de insetos se tornar resistente à fórmula hoje usada em escala nas lavouras, será criado um problema dos grandes. De acordo com Trento, por esse motivo é preciso rotacionar os princípios ativos e, assim, evitar o desenvolvimento sem controle da praga.

“O bicudo é uma praga altamente destrutiva e pode causar 100% de perdas na cultura do algodão. Ele pode trazer problemas enormes para os produtores. As consequências para a agricultura brasileira quando você seleciona indivíduos resistentes podem ser muito graves”, afirma o engenheiro agrônomo.

Produtos com efeito de choque e residual prolongado são fundamentais para o manejo dessa praga e o custo-benefício da utilização deles é muito bom para o agricultor.

Safra e mercado de algodão

Para colocar o Brasil numa posição ainda melhor no mercado mundial de algodão, é necessário seguir a recomendação de especialistas e realizar um manejo eficaz. A última safra somou 2 milhões de toneladas da pluma. A expectativa da safra que está sendo colhida é de 2,7 milhões de toneladas.

O país deve consumir cerca de 700 mil toneladas e exportar por volta de 1,8 milhão de tonelada. Se essa expectativa de vendas para o mercado externo se consolidar, o Brasil vai se manter como o segundo maior exportador global de algodão, atrás somente dos Estados Unidos.

Esse é mais um motivo para cuidar das lavouras de maneira responsável, eficiente, reduzir custos, buscar maior produtividade e investir em tecnologia e em produtos consolidados no mercado. Esse conjunto de atitudes promove o potencial das lavouras e o incremento do resultado da colheita.

Produção e Parceria: DNAgro (Canal Rural)​