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Monitoramento é forte aliado no combate às pragas no canavial

Se não controladas de forma adequada e rápida, as pragas da cana-de-açúcar podem gerar danos irreparáveis, como a perda da lavoura

Publicado 26-10-2021 12:22:59

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Lavoura de cana-de-açúcar

As condições edafoclimáticas brasileiras favorecem o desenvolvimento da cana-de-açúcar, colocando o país como o maior produtor mundial desse produto e seus derivados. De extrema relevância para o agronegócio, essa cultura poderia ser ainda mais proeminente no cenário econômico se não dependesse de alguns fatores – clima, solo, pragas, doenças e plantas daninhas –, que podem reduzir o potencial produtivo da planta de cana-de-açúcar.

Um dos destaques entre as interferências negativas no cultivo da cana são as pragas capazes de danificar a lavoura de forma significativa, gerando prejuízos dificilmente recuperáveis. As perdas podem acontecer em larga escala, tanto em produtividade quanto na qualidade da matéria-prima para a indústria. Assim, o controle adequado de pragas se torna decisivo quando o assunto é produtividade no canavial.

É de extrema importância que o produtor conheça seu inimigo de perto, para assim, saber qual manejo adotar. Uma das práticas, dentro do MIP (Manejo Integrado de Pragas), é o monitoramento das pragas, para a escolha e adoção dos melhores métodos de controle.

Conhecendo as principais pragas do canavial

Entre as diversas pragas que atacam a lavoura, algumas causam os mais graves prejuízos aos produtores de cana-de-açúcar, tais como: a cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata), o bicudo da cana (Sphenophorus levis) e a broca-da-cana (Diatraea saccharalis). 

Conheça a seguir as características de cada uma delas e saiba quais práticas adotar quando são identificadas no campo.

Cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata)

É considerada uma das pragas mais importantes da cana-de-açúcar, especialmente no Estado de São Paulo e no Nordeste do Brasil. É um inseto hemimetábolos, visto que, durante o seu desenvolvimento, passa por três estágios biológicos: ovo, ninfa e adulto.

A umidade no solo favorece o desenvolvimento da praga e, com o início das chuvas, a cigarrinha-das-raízes passa a ser uma grande preocupação ao produtor. Aproximadamente após 20 dias de encerrada a seca habitual do inverno com o início das chuvas, as ninfas começam a eclodir, pois os ovos saem da diapausa em que estavam na época seca.

A partir da eclosão, as ninfas começam a se alimentar das raízes da cana. Quando alcançam a fase adulta, vivem na parte aérea da planta, sugando a seiva de folhas e colmos, onde injetam toxinas que provocam o aparecimento de pequenas manchas foliares que futuramente irão reduzir sensivelmente a capacidade da planta de realizar fotossíntese.

Cigarrinha-das-raízes

Monitoramento e controle das cigarrinha-das-raízes

Quando as condições climáticas se tornam favoráveis à eclosão das ninfas, o monitoramento da população é o ponto chave para seu manejo, podendo ser realizado por meio da captura de adultos em armadilha luminosa, armadilha de coloração amarela ou pela contagem direta de adultos e ninfas nas folhas e no solo. A contagem de ninfas e adultos é o método mais frequentemente adotado. As ninfas, por outro lado, podem ser observadas pela presença de espuma sob a palhada.

Vale destacar que, muitas vezes, por ser formada por poucos indivíduos, a primeira geração da praga passa despercebida. Por isso, a adoção de medidas de controle nessa geração inicial do inseto é fundamental para definir o sucesso no manejo. Isso mostra a importância do monitoramento na época ideal.

O controle químico também é indicado para o manejo da cigarrinha-das-raízes. As primeiras aplicações são fundamentais, devendo ser implementadas logo após o início do período chuvoso para quebrar o ciclo da praga, impedindo o desenvolvimento de insetos adultos que causam danos adicionais e contribuem para o estabelecimento de uma segunda geração, aumentando a população e dificultando o controle.

Bicudo da cana (Sphenophorus levis)

Essa praga se adapta facilmente às condições climáticas das regiões produtoras de cana e tem um grande potencial de causar danos à cultura. Quando não compromete toda a planta, o bicudo da cana a deixa com um desenvolvimento comprometido, interferindo na redução do número de cortes, o que obriga o produtor a reformar o seu canavial mais cedo, ação que envolve altos custos de produção e reduz a rentabilidade.

Ao se alimentarem, esses insetos perfuram galerias que acabam danificando os tecidos no interior dos rizomas nas bases dos colmos da cana, causando a morte das plantas, irregularidade nas brotações das soqueiras e redução da longevidade dos canaviais.

Bicudo da cana

Monitoramento e controle do bicudo da cana

O levantamento populacional dessa praga pode ser feito por meio da avaliação da presença das larvas e dos danos causados. Para isso, recomenda-se fazer, nas linhas do canavial, a abertura de trincheiras de 50 cm de largura por 50 cm de comprimento e 30 cm de profundidade.

A amostragem deve ser realizada na época mais seca do ano, entre os meses de abril a setembro, logo após a colheita ou antes do replantio. Em cada ponto de amostragem deve ser retirada a touceira em 50 cm da linha de cana. Esse material deve ser examinado para verificar os danos e a presença de larvas e pupas.

Os adultos do bicudo da cana também podem ser monitorados por meio da instalação de iscas tóxicas dispostas na base das touceiras. Essas iscas são confeccionadas com toletes de cana de 30cm rachados ao meio e imersos em solução inseticida misturada com melaço.

Um dos métodos de controle mais recomendados é o cultural, feito por meio da destruição antecipada das soqueiras nas áreas infestadas, destinadas à reforma. Além dos métodos culturais, que envolve também medidas de preparo da área para o plantio, o método químico se mostra muito eficaz no controle de Sphenophorus levis, através da utilização de produtos eficientes que tenham, de preferência, bom residual, para ser utilizados nas épocas secas a fim de se obter um controle eficiente das larvas, e com efeito de choque, para melhor controle de adultos.

Broca-da-cana (Diatraea saccharalis)

O ataque da broca-da-cana ocorre durante todo o ciclo da cana-de-açúcar, causando danos diretos e indiretos. O dano direto se deve ao ataque da praga no colmo, formando galerias longitudinais e transversais. Essa ação impede o fluxo da seiva, reduzindo o peso dos colmos e a produtividade do canavial. A formação de galerias transversais também favorece a quebra de colmos submetidos ao vento. Ainda pode ocorrer enraizamento aéreo e surgimento de brotações laterais nas plantas.  Em plantas mais novas, o ataque da praga causa secamento dos ponteiros, sintoma conhecido como "coração morto".

Já o dano indireto é causado por microrganismos que ocupam o entrenó, através do furo aberto na casca pela lagarta. Esses microrganismos, majoritariamente fungos (Fusarium moniliforme e/ou Colletotrichum falcatum), invertem a sacarose armazenada na planta, acarretando perdas pelo consumo de energia no metabolismo de inversão, pois os açúcares resultantes desse desdobramento não se cristalizam no processo industrial, de maneira a reduzir as possibilidades de manipulação do produto final da colheita.

O adulto é uma mariposa de coloração amarelo-palha, com manchas escuras nas asas anteriores, sendo a fêmea maior que o macho. A oviposição é feita nas folhas e, ocasionalmente, na bainha. Após a eclosão, as lagartas migram para a região do cartucho da planta, iniciando a perfuração da casca do colmo, abrindo galeria no sentido crescente na região do palmito da planta. Às vezes, a galeria é aberta de forma circular, o que reduz a resistência do colmo à ação de ventos.

Broca-da-cana

Monitoramento e controle da broca-da-cana

O combate a essas lagartas é mais um exemplo de que o monitoramento se faz necessário, como uma medida eficiente para a melhor tomada de decisão no controle inicial da praga.  Nesse caso, coleta-se os colmos e conta-se os entrenós danificados pela broca-da-cana, fazendo-se um cálculo da intensidade de infestação, que irá determinar a necessidade de controle. O cálculo é expresso através da seguinte equação: I. I. % = (entrenós danificados ÷ entrenós totais) × 100.  

O produtor também pode usar armadilhas que mostram-se eficientes, tendo como objetivo identificar o pico de adultos e a presença de ovos no canavial. As armadilhas são à base de feromônio, por meio da utilização de fêmeas virgens presas a estruturas dispostas em meio à lavoura, pelas quais os machos são atraídos. A observação da quantidade de machos permite o monitoramento populacional da praga. As armadilhas devem ser colocadas a cada 50 hectares e avaliadas após três ou quatro dias.

O controle biológico é muito utilizado no manejo da broca-da-cana. Diversos inimigos naturais são eficientes em seu controle, como Trichogramma galloi, que é parasitóide de ovos, e Cotesia flavipes, uma vespinha que parasita as lagartas. O controle biológico pode ser ainda mais eficiente quando integrado com outros métodos, por exemplo, o controle químico.

Nesse caso, é necessário escolher soluções eficientes, com alto efeito residual e que sejam seletivas aos inimigos naturais.

Medidas para um manejo eficiente

Além de causar perdas irreparáveis na cultura da cana-de-açúcar, as pragas podem elevar o custo de produção e reduzir significativamente a qualidade de matéria-prima nas usinas de etanol e açúcar.

O monitoramento é fundamental na tomada de decisão sobre o momento ideal e o tipo de controle de pragas a ser realizado na lavoura. Lembrando que a prática deve ser realizada durante todo o ciclo da cultura. Assim, com a adoção de um manejo adequado, o produtor poderá agir de forma preventiva, protegendo a cultura de infestações, e ainda elevar a qualidade da sua produção.

Além das medidas citadas para o controle de pragas específicas, é importante realizar práticas que integram o MIP (Manejo Integrado de Pragas). Algumas dessas medidas de manejo para pragas da cana-de-açúcar são:

  • utilizar mudas de alta qualidade e procedência;

  • fazer a limpeza de máquinas e equipamentos agrícolas com frequência;

  • dar preferência à utilização de cultivares de cana resistentes ou tolerantes às pragas;

  • fazer o controle biológico com inimigos naturais;

  • realizar o controle químico com o uso de inseticidas.

Vale lembrar também a importância de o produtor ter o auxílio de um profissional qualificado, que o oriente nas tomadas de decisões e nas melhores escolhas para extrair o máximo potencial produtivo da sua lavoura.

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